A foto do congraçamento entre LULA e MALUF conseguiu ter mais efeitos no espírito do cidadão brasileiro que qualquer outro acontecimento da RIO + 20, grandiosíssimo evento que trouxe ao país centenas de chefes de estado e prefeitos de cidades do mundo inteiro. Não são necessárias muitas linhas para descrever quem é MALUF, basta observar que ele é procurado pela INTERPOL, e isso é o suficiente para se concluir o tipo de pessoa de que se está se falando. Quanto ao LULA, depois de 8 anos como presidente mais popular da história da nação, ele, como forma de agradecimento pela rápida recuperação de um inoportuno câncer, ao invés de ficar mais retraído e humilde, voltado ao bem comum, ressurgiu mais atrevido do que nunca, polemizando com o Ministro do STF, Gilmar Mendes, e atuando no cenário político brasileiro da forma mais atabalhoada possível, como é o caso da aliança com MALUF.
Da forma como LULA age, parece que ele jamais daria crédito a Deus pela cura da sua doença, porque ele próprio se vê como Deus. E é esse o ponto que me causa perplexidade, porque não é somente o LULA, mas a maioria da população brasileira o trata como se ele fosse uma entidade ubíqua e divina.
Erra, a meu ver, quem trata LULA como se ele fosse onipotente, imbatível, dono do Partido dos Trabalhadores. Um equívoco comum, por exemplo, que demonstra a confusão criada em torno da figura do ex metalúrgico, está no fato de que muitos confundem a sua figura com a do PT, quando se sabe que partidos políticos são formados por milhões de militantes, com uma grande pluralidade de ideias. Claro que LULA é um homem extremamente poderoso e influente dentro do PT, mas ele não é o PT. Da mesma maneira que um militar torturador não é o exército, a marinha ou a aeronáutica. Da mesma forma que um advogado antiético não é a OAB; nem muito menos um atleta criminoso não é o seu clube; e, o casal que se separa não representa o casamento.
Mas há, para meu lamento, um hábito bastante comum das pessoas apedrejarem as instituições em função de atos praticados por um de seus integrantes que, de alguma forma, conseguiu notoriedade e, no meio do caminho, cometeu algum deslize. Entendo que o discurso de ódio à instituição (a menos que a instituição seja a favor da intolerância racial, sexual, religiosa e a direitos inerentes ao princípio da dignidade da pessoa humana) é inadequado e está na esfera de um ativismo preguiçoso, que não acrescenta nada.
O engajamento do cidadão dentro da instituição que está sendo tocada sem rumo certo é muito mais construtivo do que a omissão.
Dai, se você gosta do PT, PMDB, PSDB, PSOL..., mas não está feliz com rumo dessas instituições, filie-se e tente fazer a diferença, acompanhado do grupo que você simpatiza dentro do partido. Se você não está contente com os caminhos do FLAMENGO, FLUMINENSE, VASCO, BOTAFOGO..., associe-se ao clube e tente, no meio de milhares de sócios, encontrar aqueles com quem você tem compatibilidade de ideias. Só não me venha com o apedrejamento preguiçoso, mostrando para o mundo que você está alheio, inerte, não fazendo absolutamente nada para melhorar o que tanto te incomoda e te irrita.
Só com gritaria, sem ativismo, sem engajamento, sem atividade política, ninguém conseguirá borrar a foto que roubou a cena da RIO + 20.
